Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Rio Verde (UniRV) revelou que 61% dos idosos participantes de um programa comunitário de saúde e atividade física apresentam níveis elevados de estresse percebido. A pesquisa, publicada na revista Geriatrics, Gerontology and Aging, está entre os primeiros trabalhos a investigar de forma abrangente os fatores sociodemográficos, nutricionais, comportamentais e relacionados ao sono associados ao estresse em idosos brasileiros.
A hipótese inicial da pesquisa era de que níveis mais altos de estresse percebido estariam relacionados a condições sociodemográficas desfavoráveis, padrões alimentares inadequados e pior qualidade do sono, hipótese confirmada ao longo da investigação.
O trabalho foi assinado pelos professores Dr. Paulo Marcelo Andrade Lima, Dra. Heloísa Silva Guerra, Ma. Carlabianca Cabral de Jesus Canevari, Dr. Elton Brás Camargo Júnior, Dr. Marcelo Bighetti Toniollo, Dr. Fábio Vieira de Andrade Borges, Ma. Ana Paula Félix Arantes e Dr. Renato Canevari Dutra da Silva.
A pesquisa foi realizada com 205 idosos (pessoas com 60 anos ou mais) participantes do programa Melhor Idade UniRV. Por meio de questionários, foram analisadas características sociodemográficas, comportamentais, nutricionais, antropométricas e de saúde. O nível de estresse foi mensurado pela Escala de Estresse Percebido (PSS-10), instrumento validado para a população brasileira, enquanto a qualidade do sono foi avaliada pelo Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh (PSQI). Testes estatísticos foram utilizados para identificar, de forma independente, os fatores associados ao estresse, controlando possíveis variáveis de confusão.
Principais achados
- Prevalência elevada de estresse: 61% dos participantes apresentaram níveis mais altos de estresse percebido, valor consideravelmente superior à média global estimada pela literatura internacional (13,9%).
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- Sexo feminino: mulheres apresentaram chances 5,32 vezes maiores de estresse elevado em comparação aos homens.
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- Ausência de parceiro: idosos solteiros ou viúvos tiveram 4,41 vezes mais chances de apresentar estresse elevado, reforçando o papel protetor dos vínculos afetivos e sociais no envelhecimento.
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- Alimentação: o baixo consumo de frutas e verduras (menos de cinco porções diárias) esteve associado a chances quase quatro vezes maiores de estresse elevado.
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- Classe econômica: de forma inesperada, idosos das classes média e alta apresentaram chances maiores de estresse (5,47 e 6,72 vezes, respectivamente) em comparação aos de classe baixa — achado que os autores associam a pressões psicossociais ligadas a expectativas de vida, independência e mudanças de papéis sociais na aposentadoria.
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- Qualidade do sono: o sono de má qualidade foi um dos fatores mais fortemente associados ao estresse elevado, com chances 4,29 vezes maiores entre os idosos com sono insatisfatório.
Contribuições para a saúde pública
Os resultados reforçam a importância de estratégias integradas de saúde pública voltadas ao envelhecimento saudável, incluindo a triagem rotineira do estresse percebido em ambientes de atenção primária e geriátrica, além de ações voltadas à promoção de hábitos alimentares saudáveis, higiene do sono e suporte psicossocial, com atenção especial a mulheres e idosos socialmente vulneráveis.
O estudo ressalta ainda limitações inerentes ao seu desenho transversal, que não permite estabelecer relações de causa e efeito, apenas associações entre as variáveis analisadas. Ainda assim, contribui de forma significativa para o entendimento da vulnerabilidade psicológica em idosos brasileiros, um campo de pesquisa ainda escasso no país, especialmente diante do acelerado processo de envelhecimento populacional identificado pelo IBGE.
Para o Reitor da UniRV, Prof. Dr. Alberto Barella Netto, os resultados do estudo dialogam com um desafio que já figura entre as prioridades do país. "O envelhecimento da população brasileira é uma realidade que exige das instituições de ensino superior um olhar atento e propositivo. Pesquisas como essa mostram como a universidade pode contribuir para políticas públicas mais eficazes, aproximando o conhecimento científico das necessidades reais da sociedade", afirmou.
Equipe ASCOM UniRV
Jornalista Jessica Bazzo – MTE 3194/GO
Arte: Vinicius Macedo