Dores nas costas, no pescoço e em outras regiões do corpo costumavam ser associadas principalmente ao envelhecimento. Mas nos últimos anos, essas queixas têm se tornado cada vez mais comuns entre adolescentes e adultos jovens. É o que apontam estudos realizados nas últimas décadas, que registram um crescimento expressivo dos problemas musculoesqueléticos nessa faixa etária, sobretudo das dores lombares e cervicais.
Para o Prof. Me. Thiago Nobre, fisioterapeuta e docente da UniRV, o cenário preocupa justamente por atingir uma fase da vida marcada por estudo, trabalho, prática esportiva e intensa participação social. “A dor pode interferir diretamente na rotina de jovens que estão em um momento decisivo de formação pessoal e profissional”, avalia.
Diante do problema, é comum buscar explicações simples, como má postura ou uso excessivo de celular e computador. Segundo o professor, embora permanecer muitas horas na mesma posição possa contribuir para o desconforto, a ciência atual mostra que a questão é mais complexa. “Não existe uma única postura considerada perfeita e capaz de proteger todas as pessoas contra a dor, assim como utilizar celular ou computador não significa, por si só, que alguém desenvolverá um problema na coluna”, explica.
De acordo com o fisioterapeuta, mais importante do que buscar uma posição corporal ideal é compreender o conjunto de hábitos e condições presentes na rotina. O especialista destaca que a dor é influenciada por diferentes fatores que interagem entre si. “Pouca atividade física, muitas horas sentado, sono insuficiente ou de baixa qualidade, estresse, ansiedade e sobrecarga acadêmica ou profissional podem modificar a maneira como o organismo responde aos estímulos e percebe a dor”, afirma.
Ele chama atenção ainda para um efeito pouco discutido: o medo de se movimentar. “Quando a pessoa acredita que a coluna está ‘frágil’ ou ‘desgastada’, ela tende a evitar atividades, o que reduz ainda mais seu condicionamento físico e limita progressivamente sua rotina”, alerta o professor.
Na avaliação do fisioterapeuta, cuidar da saúde musculoesquelética pode começar com atitudes simples. Segundo ele, quem estuda ou trabalha muitas horas sentado pode alternar posições ao longo do dia, levantar-se periodicamente, caminhar alguns minutos e aproveitar pequenas pausas para movimentar o corpo. “Não é necessário permanecer o tempo todo tentando sustentar uma postura rígida ou perfeita. O corpo humano foi feito para se movimentar e tolera diferentes posições. O problema costuma estar mais relacionado ao excesso de tempo sem variação e à baixa capacidade física do que a uma posição específica”, pontua.
Outra medida apontada pelo professor é a prática regular de atividade física. “Caminhar, correr, pedalar, praticar musculação, esportes, dança ou outras modalidades de preferência individual são caminhos possíveis. Começar gradualmente e manter regularidade costuma ser mais importante do que procurar um exercício considerado ideal”, orienta.
Ele reforça também a importância de horários mais consistentes para dormir, da redução de estímulos próximos ao horário de descanso e do reconhecimento de períodos de estresse excessivo. Quando a dor persiste, aumenta progressivamente ou começa a limitar atividades, estudo, trabalho ou sono, o professor recomenda buscar avaliação de um profissional de saúde.
Para o professor Thiago, enfrentar o aumento das dores musculoesqueléticas entre os jovens exige uma mudança de perspectiva. “Em vez de ensinar uma geração a ter medo da própria postura, da coluna ou do movimento, precisamos ajudá-la a desenvolver hábitos mais ativos, melhor capacidade física, sono adequado e maior compreensão sobre a dor”, conclui.
Ainda segundo o especialista, a prevenção não depende de encontrar uma postura perfeita, mas de construir uma rotina em que movimento, atividade física e cuidado com a saúde façam parte da vida. “Mais do que proteger o corpo do movimento, o desafio é prepará-lo para se movimentar bem ao longo dos anos”, resume.
Para o Reitor da UniRV, Prof. Dr. Alberto Barella Netto, discussões como essa reforçam o papel da Universidade na produção e disseminação de conhecimento que dialogue com as necessidades reais da sociedade. "A UniRV entende que seu papel vai além da formação profissional, é também gerar conhecimento que tenha aplicação prática na vida das pessoas. Temas como saúde e qualidade de vida fazem parte desse compromisso institucional com a comunidade”, salienta.
Equipe ASCOM UniRV
Jornalista Jessica Bazzo – MTE 3194/GO
Arte: Vinicius Macedo