O paisagismo em ambientes de trabalho vai muito além da função estética. Pesquisas na área ambiental associam a presença de vegetação em espaços corporativos ao aumento da concentração e da criatividade, à redução do estresse e à melhora do conforto térmico e da qualidade do ar. Foi com base nesse referencial que a Universidade de Rio Verde (UniRV) desenvolveu o projeto paisagístico do seu Complexo Administrativo, aliando arquitetura e natureza.
A responsável pelo projeto, a engenheira agrônoma e doutora em Fitotecnia Karina Volpi Furtini Boldrin, explica que a proposta nasceu de uma reflexão sobre como a vegetação poderia transformar a experiência de quem circula, trabalha e vive no espaço. "Quando iniciei o desenvolvimento do projeto paisagístico, trabalhei com a ideia de que tudo era um vazio, e pensei em como gostaria de criar esse espaço com a natureza para proporcionar às pessoas uma experiência única", relata. Foi dessa reflexão que surgiram os elementos que hoje compõem o complexo: lagos com peixes, formas orgânicas e uma disposição informal da vegetação, todos pensados para integrar a natureza à arquitetura.
Para Karina, um projeto paisagístico de qualidade não se limita à estética. "Acredito que um bom projeto paisagístico é aquele que vai além da estética, é aquele que desperta emoções, sensibiliza o olhar e toca o coração", afirma. Segundo ela, o objetivo do trabalho realizado na UniRV foi justamente estimular as pessoas a observarem a natureza com mais atenção e vivenciarem seus benefícios no dia a dia.
Os benefícios da vegetação em ambientes de trabalho vão do cognitivo ao físico. Além de favorecer a concentração e reduzir a fadiga mental, a vegetação contribui para reduzir a temperatura do ambiente, aumentar a umidade do ar, filtrar compostos orgânicos voláteis emitidos por aparelhos eletrônicos e liberar oxigênio. Karina destaca que esse conjunto de fatores gera espaços mais confortáveis, com reflexos concretos na saúde: redução dos níveis de cortisol, diminuição da pressão arterial e da frequência cardíaca. "Mais do que um espaço bonito, é um projeto que foi desenvolvido para que a natureza seja respeitada, criando uma paisagem que melhora e transforma a maneira como as pessoas trabalham e sentem o espaço", resume.
Planejamento que respeita a natureza
Levar vegetação para dentro dos ambientes de trabalho exige planejamento técnico rigoroso. A professora explica que a primeira etapa é escolher as espécies de acordo com as características físicas do local: luminosidade, ventilação, temperatura, espaço disponível e manutenção necessária, já que nem toda planta se adapta bem a ambientes internos.
Outro ponto essencial, segundo ela, é integrar a vegetação à arquitetura e à funcionalidade do espaço, seja por meio de vasos, jardins verticais ou telhados verdes. "O objetivo não é simplesmente distribuir plantas pelo ambiente, mas criar uma relação harmoniosa entre a vegetação, o espaço e as necessidades das pessoas que o utilizam", pontua. A docente também considera fundamental explorar a diversidade de formas, texturas e cores das espécies para estimular diferentes sensações, promovendo espaços mais humanizados e acolhedores.
Um dos aspectos mais particulares do paisagismo, segundo Karina, é compreender que a vegetação não deve ser tratada como mobiliário urbano. "As espécies vegetais são organismos vivos, que, como qualquer outro, dependem da sua adaptação ao ambiente", ressalta. Por isso, mesmo com todo o planejamento técnico realizado antes da implantação, fatores imprevisíveis costumam surgir, exigindo reposição de canteiros ou substituição de espécies.
Essa condição, explica a professora, revela uma lição importante sobre o tempo: é preciso tempo para que as plantas se adaptem, se desenvolvam e para que a paisagem se transforme aos poucos. "Quando implantamos um jardim, temos a impressão de que o projeto paisagístico finalizou ali, mas, na verdade, ele está só começando", observa.
Telhados verdes como símbolo de sustentabilidade
Entre as soluções adotadas no primeiro pavimento do Complexo Administrativo está uma estrutura de telhados verdes, alternativa encontrada para introduzir vegetação mesmo em um espaço com camada de solo relativamente estreita, já que fica sobre a laje da edificação. A estrutura reúne diversas camadas de materiais funcionais que permitem o desenvolvimento das plantas sem comprometer a construção, evitando problemas como infiltração e danos estruturais.
O sistema também está associado a práticas sustentáveis: a água utilizada na irrigação é captada e reaproveitada no próprio edifício. Para a professora Karina, o telhado verde representa bem o espírito do projeto como um todo: uma solução contemporânea que une visual moderno, acolhimento e sustentabilidade em um só espaço.
Para o Reitor da UniRV, Prof. Dr. Alberto Barella Netto, o projeto do Complexo Administrativo representa a essência de uma Universidade que busca transformar conhecimento em soluções concretas para a sociedade e para a própria comunidade acadêmica. “Na UniRV, cada projeto é pensado a partir do conhecimento, da pesquisa e da prática, mas, principalmente, pensando nas pessoas. O nosso objetivo é que tudo aquilo que produzimos dentro da Universidade tenha aplicação e possa contribuir para transformar ambientes, melhorar experiências e promover mais qualidade de vida. O Complexo Administrativo é um exemplo disso: um espaço em que arquitetura, sustentabilidade, ciência e natureza se encontram para criar um ambiente mais acolhedor e adequado para quem trabalha e circula aqui todos os dias”, conclui.
Equipe ASCOM UniRV
Jornalista Jessica Bazzo – MTE 3194/GO
Fotos: Marcos Santos e Jessica Bazzo