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Super El Niño pode intensificar irregularidade das chuvas e elevar temperaturas em Goiás

Publicado em: 08-10-2026
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O fenômeno El Niño deve ganhar intensidade nos próximos meses e pode provocar grandes impactos no regime de chuvas e nas temperaturas em diferentes regiões do país. Em Goiás, a previsão é de maior irregularidade das precipitações, ocorrência de veranicos mais intensos e elevação da temperatura do ar, com atenção especial para o período entre outubro e dezembro.

Segundo o Professor Dr. Gilmar Oliveira Santos, da Universidade de Rio Verde (UniRV), o cenário deste ano chama atenção pela intensidade do aquecimento das águas do Oceano Pacífico. O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) tem utilizado o termo Super El Niño de 2026 diante dos valores registrados e da possibilidade de continuidade do aquecimento nos próximos meses.

“O acompanhamento das condições do Oceano Pacífico é realizado por trimestres. Na última avaliação, referente aos meses de julho, agosto e setembro, a temperatura das águas apresentou aquecimento de 2,2°C, considerado um valor recorde para o período. Até então, o maior registro para esses mesmos meses havia ocorrido em 1997, quando o aquecimento chegou a 1,8°C. A previsão atual indica que as águas do Pacífico podem continuar aquecendo e atingir 3°C ou mais até fevereiro de 2027”, esclarece o Professor.

O Professor explica que a intensidade desse aquecimento ajuda a compreender a atenção dada ao fenômeno. “O maior aquecimento já registrado ocorreu em 2015, quando o Pacífico chegou a 2,6°C no trimestre formado por novembro, dezembro e janeiro”, afirma.

Segundo o especialista, o intervalo entre outubro e dezembro é considerado especialmente importante porque corresponde ao período em que o El Niño poderá atingir os maiores valores de aquecimento das águas do Pacífico. Além disso, esses meses coincidem com a retomada das chuvas na região.

“Nesse cenário, a expectativa é de redução do volume de precipitações e aumento da temperatura do ar. Para Goiás, os efeitos podem aparecer principalmente na irregularidade das chuvas, com períodos de estiagem dentro da estação chuvosa, conhecidos como veranicos”, explica.

Os efeitos do El Niño não são iguais em todo o território brasileiro. De acordo com o professor Gilmar, durante a atuação do fenômeno, é comum ocorrer aumento do volume e da intensidade das chuvas na região Sul do país, enquanto as regiões Norte e Nordeste tendem a registrar redução das precipitações.

“Por estar localizada na região central do Brasil, Goiás apresenta um comportamento diferente. No estado, um dos principais impactos é a irregularidade das chuvas, marcada pela ocorrência de veranicos mais intensos. Também é esperado aumento das temperaturas do ar”, destaca o Professor.

Para Rio Verde, o histórico climático também ajuda a compreender os possíveis efeitos do fenômeno. Segundo a análise apresentada pelo Professor Gilmar, o comportamento climático do município desde 1972 mostra que períodos de influência do El Niño são marcados pela irregularidade das chuvas, ocorrência de veranicos e temperaturas elevadas.

“Para este ano, a previsão indica aumento de aproximadamente 1°C na temperatura média entre outubro e dezembro, acompanhado de redução do volume de chuva, principalmente em dezembro. O cenário exige atenção do setor agrícola, especialmente para a cultura da soja. O período coincide com a fase de enchimento dos grãos, etapa em que a demanda hídrica da cultura chega, em média, a 6 milímetros por dia”, detalha o Professor.

A combinação entre temperaturas mais elevadas, chuvas irregulares e redução da precipitação pode tornar o acompanhamento das condições climáticas ainda mais importante para o planejamento das atividades agrícolas na região.

Embora os efeitos do El Niño variem de acordo com a região, o cenário previsto para os próximos meses reforça a importância do monitoramento das condições climáticas. Em Goiás, a principal preocupação está relacionada à distribuição irregular das chuvas e à elevação das temperaturas, enquanto, em Rio Verde, o comportamento do clima pode ter reflexos diretos sobre uma das principais atividades econômicas da região.

Para o Professor Gilmar, o acompanhamento da evolução das temperaturas do Oceano Pacífico será fundamental para compreender como o fenômeno irá se comportar ao longo dos próximos meses e quais serão, de fato, seus efeitos sobre o clima regional.

Para o Reitor da UniRV, Prof. Dr. Alberto Barella Netto, a geração e a difusão de conhecimento são fundamentais em uma região fortemente ligada ao agronegócio. “A Universidade tem o compromisso de produzir conhecimento e contribuir para o debate de temas que influenciam a realidade regional. Estudos relacionados ao clima, à agricultura e ao meio ambiente auxiliam na compreensão de desafios cada vez mais complexos e reforçam a importância da pesquisa científica como ferramenta de apoio ao desenvolvimento sustentável”, ressalta.
 


Equipe ASCOM
Jornalista Ana Júlia Sales
Arte: Eduardo Thomaz

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