Na Faculdade de Medicina da Universidade de Rio Verde (UniRV), a pesquisa faz parte da rotina de quem se forma para cuidar de pessoas. Por meio dos programas de iniciação científica (PIVIC/PIBIC), os estudantes aprendem a formular perguntas, analisar dados, avaliar criticamente a literatura e comunicar resultados, habilidades que acompanham o médico por toda a carreira.
Do primeiro resumo ao artigo internacional
Para a acadêmica Ohara de Oliveira Barboza, do 10º período, tudo começou com trabalhos simples, como resumos, que evoluíram para resumos expandidos e artigos. Ela desenvolveu o primeiro projeto no ciclo 2024/2025 e agora finaliza a segunda iniciação científica. “A pesquisa me ensinou não apenas sobre os temas dos projetos que desenvolvi, mas também sobre como buscar informações, analisar criticamente o que encontramos e construir conhecimento de forma mais organizada e responsável”, salientou.
Maykon Vinnycios Queirós Silva, do 11º período, participou de três ciclos consecutivos do PIVIC, sob orientação da professora Dra. Ana Paula Fontana, e firmou seu interesse pela Epidemiologia. Seu primeiro estudo investigou os fatores associados à tenossinovite de De Quervain em 73 acadêmicos de Medicina, avaliando fatores de risco, manifestações clínicas e o teste de Finkelstein. Foi publicado na revista Espaço para a Saúde, das Faculdades Pequeno Príncipe (PR). No segundo ciclo, analisou a mortalidade pela doença de Creutzfeldt-Jakob, uma enfermidade neurodegenerativa rara causada por príons. O estudo identificou 1.009 óbitos no Brasil entre 1996 e 2024 e apontou tendência de crescimento e diferenças entre as regiões, o que reforça a necessidade de fortalecer a vigilância epidemiológica. O terceiro projeto, ainda a ser apresentado no Congresso de Iniciação Científica da UniRV (CICURV), estuda a mortalidade infantil associada a patógenos gastrointestinais no país entre 2012 e 2022.
Fora da iniciação científica, Maykon também participou de uma umbrella review sobre vasectomia e risco de câncer de próstata. Em 19 de outubro de 2026, publicou como primeiro autor, no Journal of Rare Diseases (Springer Nature), uma revisão sistemática sobre o uso de lítio na síndrome de Kleine-Levin, doença neurológica rara conhecida como “síndrome da bela adormecida”. O trabalho avaliou benefícios clínicos, recorrência dos episódios e segurança do medicamento. Hoje, no internato, prepara um relato de caso sobre a síndrome oculoglandular de Parinaud, com investigação de possível associação à infecção por Bartonella henselae. Seu plano é cursar mestrado e doutorado em Epidemiologia ou Saúde Coletiva.
Ciência de ponta no laboratório
O acadêmico Lucas Maia, do 9º período, integra projetos que unem nanotecnologia, epigenética e biotecnologia no estudo do câncer e da medicina regenerativa. O modelo de pesquisa é o zebrafish (peixe-zebra), cujas larvas transparentes permitem acompanhar tecidos e células tumorais. As propostas incluem nanotecnologia para transportar substâncias terapêuticas, regeneração de tecido nervoso e da pele e biomateriais para feridas e queimaduras produzidos a partir de resíduos agrícolas, em parceria com cooperativas. O grupo também estrutura um projeto com o Hospital do Câncer para avaliar, no futuro, a resposta de tumores aos tratamentos. Recentemente, obteve três projetos aprovados pela FAPEG e uma premiação para uma startup ligada ao laboratório.
O papel dos docentes
A Profa. Dra. Lara Cândida de Sousa Machado tem a orientação de 22 projetos de iniciação científica entre os ciclos 2023/2024 e 2026/2027. Entre os temas estão a malária fora da Amazônia, o câncer pediátrico, os métodos de suicídio entre adolescentes, a violência doméstica, a saúde de idosos em hemodiálise, as arboviroses e o uso de aprendizado de máquina no diagnóstico do câncer de mama. No ciclo 2026/2027, são sete novos estudos, sobre pancreatite aguda, técnicas anestésicas, infecção do sítio cirúrgico e bioativos do Cerrado, como a Croton urucurana e a Bauhinia forficata, testados em larvas de zebrafish. Um dos trabalhos orientados, sobre ansiedade e depressão em pacientes com câncer, identificou esses sintomas em 69,6% da amostra e foi publicado em 2024 na revista Cogitare Enfermagem.
No Campus Aparecida, o Prof. Dr. Hidelberto Matos Silva, líder do Núcleo de Pesquisas em Medicina de Aparecida (NUPMA), estuda arboviroses como dengue, zika, chikungunya e oropouche no Centro-Oeste. Seu foco é a relação entre mudanças climáticas e a sazonalidade das doenças, e a próxima etapa é criar modelos de predição com inteligência artificial para Goiás. Em 2026, o grupo realizou uma oficina de escrita científica e submeteu 19 resumos ao MEDTROP 2026, em Brasília. Todos foram aprovados e dois foram selecionados para apresentação oral, entre eles um sobre a relação entre zika e dengue na dinâmica das arboviroses.
Pesquisa que forma e transforma
Os relatos mostram que a iniciação científica aproxima a formação médica de problemas reais de saúde, abre caminho para a pós-graduação e ensina que nem toda questão clínica tem resposta definitiva. Investigar, afinal, também é uma forma de cuidar.
Para o Reitor da UniRV, Prof. Dr. Alberto Barella Netto, a qualidade da formação médica oferecida pela Universidade está relacionada à integração entre ensino, pesquisa e prática profissional. “Na UniRV, buscamos oferecer uma formação que alia conhecimento teórico, experiência prática e iniciação científica, permitindo que os estudantes desenvolvam habilidades importantes para a atuação médica. O contato com a pesquisa ainda na graduação amplia a compreensão sobre os desafios da saúde, estimula a busca por respostas fundamentadas e prepara nossos futuros médicos para acompanhar os avanços da ciência e contribuir para a qualidade da assistência à população”, destaca.
O vestibular de Medicina da UniRV está com inscrições abertas até 16 de novembro. Saiba mais e inscreva-se
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Equipe ASCOM UniRV
Jornalista Jessica Bazzo – MTE 3194/GO