O campo agrostológico da Universidade de Rio Verde (UniRV) é um espaço dedicado ao ensino, à pesquisa e à demonstração de práticas agrícolas. No local, experimentos avaliam o desenvolvimento de plantas forrageiras e de cobertura nas condições do Cerrado, investigando seus efeitos sobre o solo e a produtividade das lavouras.
Há três anos, os estudos são conduzidos sob a coordenação do Prof. Dr. Charles Barbosa Santos e acompanham diferentes etapas do calendário agrícola, incluindo o verão, a safrinha, o outono e o inverno. O objetivo é ampliar o conhecimento sobre o uso dessas plantas nos sistemas de produção e identificar alternativas que favoreçam a conservação do solo e a eficiência da atividade agrícola.
Atualmente, o campo reúne experimentos com braquiárias, nabo-forrageiro, crotalárias e outras leguminosas, cultivadas individualmente ou em consórcio. Os pesquisadores avaliam aspectos como a formação de palhada, a ciclagem de nutrientes, a fixação de nitrogênio, a retenção de água e a estrutura do solo.
Entre as estratégias estudadas, segundo o professor Charles, estão o cultivo de Brachiaria ruziziensis nas entrelinhas do milho safrinha, a semeadura de misturas de plantas de cobertura após a colheita da soja e o cultivo de espécies vegetais durante o inverno, evitando que o solo fique descoberto por longos períodos.
Outra frente de pesquisa envolve a integração lavoura-pecuária, sistema que combina a produção de grãos e a criação de animais em uma mesma área, buscando aproveitar melhor o solo ao longo do ano.
Os experimentos também permitem avaliar mudanças nas características físicas e químicas do solo, no rendimento das culturas e nos custos de produção. Entre os resultados observados estão o aumento do diâmetro médio ponderado dos agregados do solo e a redução da resistência à penetração na camada de 0 a 20 centímetros. Esses indicadores ajudam a compreender as condições do solo e sua capacidade de favorecer o crescimento das raízes.
Os estudos também apontam aumento dos teores de matéria orgânica ao longo do tempo e elevação da capacidade de troca de cátions (CTC) efetiva, indicador relacionado à capacidade do solo de reter nutrientes e disponibilizá-los às plantas.
Em relação à produtividade, os registros indicam um incremento médio de 10% no rendimento das culturas de soja e milho em anos com ocorrência de veranicos, períodos de estiagem durante a estação chuvosa. O percentual representa uma média observada entre as culturas, considerando as variações de produtividade registradas nos experimentos.
Os pesquisadores também investigam os efeitos de determinadas espécies de crotalária sobre nematoides que afetam as lavouras, como os nematoides de galha (Meloidogyne spp.) e o nematoide de cisto da soja (Heterodera glycines). Os resultados preliminares, respaldados por pesquisas, apontam potencial de redução dessas populações, mas novas avaliações são necessárias para aprofundar o conhecimento sobre os efeitos das espécies utilizadas.
Outro aspecto avaliado é o impacto econômico das plantas de cobertura. Os resultados indicam potencial de redução da necessidade de adubação nitrogenada, do uso de herbicidas e do consumo de combustível por hectare. Segundo o professor Charles, o investimento em sementes e semeadura pode ser compensado pelos ganhos de produtividade da cultura principal. “Os experimentos seguem em andamento, com novas safras e combinações de espécies sendo avaliadas. A continuidade dos estudos permite observar o comportamento das plantas em diferentes condições e ampliar as informações disponíveis sobre o manejo de sistemas agrícolas no Cerrado”, avalia.
Para o Reitor da UniRV, Prof. Dr. Alberto Barella Netto, pesquisas como as desenvolvidas no campo agrostológico demonstram como a produção de conhecimento pode contribuir para o aprimoramento das práticas agrícolas e para o desenvolvimento do agronegócio. “A Universidade tem o compromisso de produzir conhecimento, formar profissionais e contribuir para o avanço dos setores que movimentam a sociedade. Estudos como esses aproximam a pesquisa da realidade do produtor rural e ajudam a construir alternativas para uma produção mais eficiente e alinhada à conservação dos recursos naturais”, destaca.
Além de contribuir para a produção de conhecimento científico, o campo agrostológico apoia atividades de ensino e a troca de informações com produtores rurais e profissionais do setor, aproximando a pesquisa acadêmica dos desafios enfrentados no campo.
Equipe ASCOM UniRV
Jornalista Jessica Bazzo – MTE 3194/GO
Foto: Eduardo Thomaz